Para o diretor-executivo da Abiec, Otávio Cançado, a expectativa para as exportações em 2010 é muito boa.
Os preços médios da carne bovina exportada pelo Brasil tiveram uma surpreendente alta de 18% em fevereiro, os embarques aumentaram 8% e a receita com as exportações subiu 28% no mês passado, informou nesta terça-feira, 9, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). As exportações de carne in natura, que representam tradicionalmente cerca de 80% das vendas, cresceram 13% em volume e 43% em receita na comparação com fevereiro de 2009, quando a crise internacional afetou os negócios da indústria brasileira.
\"Isso demonstra uma retomada do comércio mundial de carne. Houve uma maior importação para a recomposição dos estoques, que ficaram muito reduzidos em função da ausência de crédito. A expectativa é muito boa para 2010\", afirmou o diretor-executivo da Abiec, Otávio Cançado, à \"Reuters\". Para este ano é esperado pela Abiec um aumento de pelo menos 10% em volumes e valores em relação a 2009.
Em fevereiro, os embarques de carne bovina seguiram o ritmo esperado para o ano, atingindo 150,9 mil toneladas (equivalente-carcaça), ante 139,3 mil toneladas no mesmo período de 2009, enquanto a receita aumentou no mês passado para US$ 347,7 milhões, alta de 28%. O preço médio da carne bovina exportada aumentou de 3 mil dólares/tonelada em fevereiro de 2009 para 3,5 mil dólares.
Destinos - A Rússia permaneceu como o principal destino da carne in natura brasileira, com importações de 61,8 mil toneladas no primeiro bimestre do ano (alta de 2% ante o mesmo período do ano passado), mas o maior crescimento para um só importador no período foi registrado pelo Irã, de 195%. Assim, o Irã apareceu como o segundo maior importador de carne in natura, com 35 mil toneladas no primeiro bimestre.
Cançado prevê que as vendas podem crescer mais, com a China finalmente importando diretamente a carne brasileira, que atualmente entra no país via Hong Kong. Ele prevê que até o segundo semestre deverá estar tudo pronto para o Brasil exportar aos chineses. Outra boa expectativa é com a União Europeia, que poderia flexibilizar a entrada de fazendas habilitadas na lista das que podem fornecer gado para as indústrias exportadoras aos europeus, disse o executivo, confiando no resultado da missão técnica da UE que está no Brasil.
Os europeus importaram 8,6 mil toneladas no primeiro bimestre, crescimento de 17%. O preço médio da carne exportada à UE, tradicionalmente o maior, chegou a 7,4 mil dólares por tonelada. \"Estamos perto de romper a barreira dos 8 mil dólares de 2007\", disse ele, referindo-se aos melhores momentos das exportações de cortes nobres do Brasil. A alta no valor da carne exportada aos europeus ocorre também em função do número reduzido de fazendas brasileiras habilitadas: apenas 1.875 propriedades.
Fonte: DBO. |